No dia 20 de junho de 1944, faleceu o coronel João Guilherme de Pontes, considerado um dos maiores líderes políticos da história de Caruaru. Sua morte provocou grande repercussão na sociedade caruaruense e motivou uma homenagem do então governador de Pernambuco, Agamenon Magalhães, publicada no jornal Folha da Manhã, na edição de 23 de junho daquele ano.
Em seu editorial, Agamenon Magalhães destacou a trajetória política de João Guilherme, sua dedicação ao desenvolvimento de Caruaru e o prestígio que conquistou entre a população ao longo de sua vida pública.
“Caruaru, a Princesa do Agreste pernambucano, perdeu, com a morte de João Guilherme, uma tradição. A sua paisagem social vai ressentir-se por muito tempo de sua falta. João Guilherme foi o chefe político que nunca perdeu o seu prestígio em Caruaru. No poder, fazia tudo pelo progresso de sua gleba. Foi vereador, prefeito três vezes e senador estadual. A cada período de seu governo assinalava novas iniciativas e novos melhoramentos locais.”
O governador também ressaltou a relação de proximidade que o coronel mantinha com os moradores da cidade e da zona rural, atribuindo sua popularidade à maneira como acolhia as necessidades da população.
“O seu poder era do povo. O homem da cidade ou da roça tinha fanatismo pelo chefe, que acolhia em todas as suas necessidades. O segredo do seu prestígio era a bondade. O seu mandonismo local foi sempre o mais suave. Todos os adversários o respeitavam. Caruaru, por isso, foi sempre um modelo de trabalho e de paz. As lutas políticas ou eleitorais nunca assumiram ali aspectos truculentos.”
Na sequência, Agamenon Magalhães enalteceu o compromisso de João Guilherme com a administração pública e a prosperidade do município, destacando sua conduta política e o reconhecimento recebido ainda em vida.
“A política partidária nem sempre formou figuras como a do chefe de Caruaru. Nem sei se ele era uma exceção em nosso Estado. O seu orgulho de chefe político era orgulho cívico. O zelo pelos dinheiros públicos e pela prosperidade de sua terra, nenhuma figura local exaltou e honrou mais do que ele. A política o empobreceu de bens, mas lhe aumentou o patrimônio moral, tão cheio de serviços públicos e de virtudes sociais.”
O editorial também recordou uma das homenagens prestadas ao coronel pela população caruaruense, quando deixou a administração municipal aos 68 anos de idade.
“Sentiu em vida a gratidão de sua gente. Quando deixou a Prefeitura de Caruaru, por ter atingido a idade de 68 anos, o povo ergueu na praça principal da cidade, a praça que ele fez, calçou e encheu de canteiros e de flores, o seu busto.”
Ao encerrar sua homenagem, Agamenon Magalhães utilizou uma expressão simbólica para representar a importância de João Guilherme de Pontes na história política de Caruaru, fazendo também um apelo às futuras gerações.
“A velha aroeira de Caruaru tombou. A sua sombra vai fazer falta. Rendendo a minha sentida homenagem à memória de João Guilherme, quero fazer um apelo ao povo de Caruaru. Este apelo é que a vida pública do chefe que desapareceu sirva de espelho aos jovens que terão de dirigir amanhã os destinos de sua terra.”
A homenagem, publicada em 23 de junho de 1944, no jornal Folha da Manhã, constitui um registro histórico do reconhecimento político que João Guilherme de Pontes recebeu de Agamenon Magalhães, evidenciando sua influência na vida pública de Caruaru durante a primeira metade do século XX.


