Morreu neste sábado (13), no Rio de Janeiro, aos 89 anos, o multi-instrumentista alagoano Hermeto Pascoal, reconhecido como um dos maiores gênios da música instrumental mundial. O artista, conhecido como o “Bruxo da MPB”, estava internado no Hospital Samaritano Barra e faleceu em decorrência de falência múltipla dos órgãos, causada por complicações respiratórias associadas à fibrose pulmonar em estado avançado.
Nascido em Lagoa da Canoa, então distrito de Arapiraca (AL), Hermeto foi portador de albinismo e estrabismo desde a infância, o que o afastou da lida no campo e o aproximou da música, aprendida de forma autodidata. Tornou-se célebre pela criatividade e ousadia, capaz de transformar em som instrumentos convencionais e objetos do cotidiano, como panelas, brinquedos, garrafas e até animais. Rejeitava rótulos e chamava sua obra de “música universal”. Miles Davis, ícone do jazz, chegou a descrevê-lo como “o músico mais impressionante do mundo”.
Em 1951, Hermeto teve uma passagem importante por Caruaru. Naquele ano, a Rádio Difusora buscava um conjunto musical para integrar o programa de auditório Expresso da Alegria. O jornalista Luiz Torres, então gerente da emissora, soube de um jovem talento que se apresentava em feiras na região de Arapiraca e decidiu contratá-lo. Assim, Hermeto se mudou para Caruaru, onde se destacou no programa apresentado por Amélio Cabral e pelos irmãos José Almeida e Onildo Almeida.
Na época, grandes nomes da música nacional, como Nelson Gonçalves, Cauby Peixoto e Ângela Maria, passaram pela cidade e chegaram a exaltar o talento do artista. O jornalista Francisco Pessoa de Queiroz, proprietário do Jornal do Commercio, também reconheceu sua genialidade e o levou para a Rádio Jornal do Recife, trampolim para o sucesso que mais tarde o projetaria no Brasil e no exterior.
Em Caruaru, Hermeto também foi homenageado pela Rádio Cultura do Nordeste, através dos radialistas Paulo Sobral e César Lucena. O advogado e comerciante Rodolfo Monteiro, que conviveu pessoalmente com o músico, relembrou suas grandes qualidades.
Ao longo da carreira, Hermeto construiu uma trajetória única, marcada pela improvisação, pela experimentação e por colaborações com nomes como Elis Regina, Tom Jobim, Sivuca, Egberto Gismonti, Airto Moreira, Flora Purim e Heraldo do Monte. Em 2024, lançou seu último álbum de composições inéditas, Pra você, Ilza, dedicado à sua companheira de vida, Ilza Souza Silva, falecida em 2000. No mesmo ano, teve sua primeira biografia oficial publicada, escrita pelo jornalista Vitor Nuzzi.
Hermeto deixa seis filhos, 13 netos e dez bisnetos. Em Caruaru, o vereador Gil Bobinho (PSB) anunciou que apresentará, na próxima reunião da Câmara Municipal, um voto de pesar e a proposta de nomear um logradouro público em homenagem ao artista que, por um período, fez da Capital do Forró também palco de sua genialidade quando começou a sua vida artística em Caruaru.

