A morte do presidente Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954, causou comoção em todo o Brasil — e em Caruaru não foi diferente. Naquele dia, um dos pontos mais movimentados da cidade era o tradicional Café Botequim do Barbosa, localizado na Rua da Matriz, onde moradores acompanhavam, atentos, as notícias transmitidas pela Rádio Jornal do Commercio em edição extraordinária.

A informação foi anunciada pelo locutor Edson de Almeida, voz marcante do Repórter Esso em Pernambuco, que repetia o comunicado com emoção e seriedade. O clima no botequim mudou de repente. O burburinho deu lugar a um silêncio profundo. Clientes e frequentadores ficaram atônitos, tentando entender a dimensão do que acabavam de ouvir.

Em um canto do balcão, o veterano político caruaruense Jesuíno Araújo — ex-vereador e ex-deputado estadual — se curvou sobre a xícara de café e não conteve as lágrimas. Getúlio Vargas era sua maior referência política, e a notícia abalou profundamente o velho líder.

Enquanto isso, a empresa de som de Frutuoso Lorega espalhava a informação pelas ruas da cidade, anunciando também a chegada das edições extras do Diário de Pernambuco e do Jornal do Commercio. Já a Rádio Difusora de Caruaru, única emissora local à época, interrompeu a programação musical e passou a entrevistar populares, transmitindo músicas em tom solene.

O episódio está registrado no livro do escritor caruaruense Fernando Florêncio, que preservou esse importante momento da memória da cidade.

Edson de Almeida, que marcou época no rádio pernambucano, também fez grande sucesso com o surgimento da TV Jornal do Commercio, no Recife. Naquele período, o jornalismo ainda era essencialmente local, já que não existia rede nacional de transmissão. Seu trabalho tinha como redator o jornalista Jota Alcides, outro nome de destaque da comunicação em Pernambuco.