Hoje contamos a história de um dos mais talentosos locutores do rádio de Caruaru: Aluízio Falcão. Ele iniciou sua vida profissional na divulgadora de anúncios de Frutuoso Lorega e, com a criação da primeira emissora da cidade, a Rádio Difusora de Caruaru, pertencente à Empresa Jornal do Commercio, em 1951, foi aprovado em teste e rapidamente se destacou como comunicador.
Aluízio ganhou notoriedade principalmente na apresentação de comícios. Quem viveu aquela época recorda seu vozeirão marcante e a forma emocionante com que anunciava os oradores, tornando-se, muitas vezes, mais aplaudido do que os próprios discursos. Filho de uma viúva e integrante de uma família numerosa, também trabalhou ainda jovem como servidor estadual na Coletoria de Caruaru.
Em 1955, durante a eleição de Juscelino Kubitschek, Aluízio participou de uma campanha de arrecadação de fundos destinada a familiares de comunistas presos, em meio às tensões provocadas por setores militares que resistiam à posse do presidente eleito. Na ocasião, foi preso em Caruaru junto com outros jovens e levado para a Secretaria de Segurança Pública do Recife. Entre os detidos estavam Abdias Lé, Fernando Florêncio, Ernesto do Colchão, o sargento reformado Cordeiro e os estudantes Chico Santino e Assis Claudino, conhecido como Cici. Eles permaneceram em condições precárias, dormindo sobre jornais no chão, em celas próximas a presos comuns.
Posteriormente, Aluízio atuou como locutor na Rádio Tamandaré do Recife e participou ativamente da campanha vitoriosa de Miguel Arraes para a Prefeitura do Recife e, mais tarde, para o Governo de Pernambuco. Também integrou o Movimento de Cultura Popular e exerceu a função de secretário particular de Arraes.
Com o Golpe Militar de 1964, deixou Pernambuco e se refugiou no Rio de Janeiro. Na capital fluminense, trabalhou traduzindo livros de bolso para a Editora Bruguera, recebendo por volume traduzido, e posteriormente conseguiu emprego em uma produtora de filmes, iniciando uma fase de relativa estabilidade.
Essa tranquilidade, no entanto, foi interrompida quando, ao passar por uma banca de revistas, viu sua própria imagem estampada na capa da revista Fatos & Fotos, como um dos procurados pela polícia política (DOPS). Temendo a prisão, abandonou o emprego e buscou ajuda de amigos, que o aconselharam a procurar asilo em uma embaixada — tentativa que não teve sucesso.
Foi então que recebeu apoio do conterrâneo Ivanildo Porto, que o levou para São Paulo. Na nova fase, Aluízio conseguiu se reerguer profissionalmente e passou a atuar também como compositor, utilizando o pseudônimo J. Petronilo.
Essa trajetória está registrada no livro Figuras e Cores do Meu Tempo, do advogado caruaruense Fernando Monteiro, que também foi perseguido após o golpe de 1964 e se refugiou no Rio de Janeiro.
Em 1970, Fernando Lyra foi eleito deputado federal pelo (MDB) por Pernambuco, contando com apoio de setores ligados ao Partido Comunista, então na clandestinidade — fato que, se comprovado, poderia ter resultado em sua cassação, o que não ocorreu. Anos depois, já como ministro da Justiça no governo de José Sarney, Fernando Lyra afirmou, em conversa com os jornalistas Tavares Neto e Souza Pepeu, que Aluízio Falcão foi o maior apresentador de comícios que conheceu.
Fernando Lyra também relembrou que, quando seu pai, João Lyra Filho, foi eleito prefeito de Caruaru pela primeira vez, em 1958, contou com o apoio do Partido Comunista local, então presidido pelo comerciante Abdias Bastos Lé.
