No dia 14 de abril de 1973, o compositor caruaruense Carlos Fernando foi detido por agentes da repressão na Avenida Conselheiro Aguiar, em Boa Viagem, no Recife. Irmão de Manoel Messias — que naquele período vivia no exílio —, Carlos foi abordado, algemado e colocado à força no banco traseiro de um veículo estacionado no local. Com a cabeça baixa e encapuzado, não conseguiu identificar o destino para onde estava sendo levado.
No momento da prisão, vestia bermuda, camisa de malha e sandálias. Permaneceu com as mesmas roupas durante todo o período em que ficou preso e incomunicável. Isolado do mundo exterior, tinha contato apenas com os carcereiros. Ao deixar a prisão, suas roupas estavam sujas e marcadas por sinais evidentes das torturas sofridas.
O desaparecimento de Carlos Fernando gerou repercussão no Recife, onde morava, e também em Caruaru, sua cidade natal. Sua mãe, dona Amália Queiroz da Silva, procurou apoio do então deputado estadual Jarbas Vasconcelos (MDB), que denunciou o caso na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Em Brasília, o deputado federal Marcos Freire (MDB) também levou a denúncia à Câmara dos Deputados.
A mobilização política e a pressão pública contribuíram para sua libertação dias depois. Ao retornar a Caruaru, Carlos Fernando foi recebido por amigos e aliados, entre eles o jornalista Souza Pepeu e o comerciante Abdias Bastos Lé, que presidia o extinto Partido Comunista na cidade.
Militante de esquerda desde a década de 1960, Carlos Fernando passou a ser perseguido após o golpe militar de 1964. Temendo ser preso por suas posições políticas, deixou Caruaru e se refugiou na casa do amigo Fernando Lyra, em Boa Viagem, enquanto buscava meios de escapar da repressão.
Carlos Fernando faleceu em 1º de setembro de 2013, vítima de câncer de próstata. Durante o tratamento, recebeu assistência médica do Governo de Pernambuco, com apoio de João Lyra Neto, então governador do Estado e amigo de longa data do compositor.

