Claudemir Couto Sales nasceu em 29 de janeiro de 1955, em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. Filho de João Olímpio de Sales, natural de Lajedo, e Julita Couto Sales, de Jurema, ambos primos legítimos, Claudemir veio de uma família numerosa, com 13 filhos, sendo ele o filho do meio. Sua infância foi marcada por desafios e superações: só começou a falar aos sete anos de idade, mas, desde então, nunca mais parou — característica que se tornaria marca de sua personalidade comunicativa, determinada e empreendedora.
Na década de 1960, a família viveu um período fora de Pernambuco. Em 1965, mudou-se para Maringá, no Paraná, onde permaneceu por cerca de um ano, período em que nasceu o caçula da família, Marcílio. Em seguida, passaram mais um ano em São Paulo, retornando depois para Caruaru.
Desde muito jovem, Claudemir demonstrou vocação para o trabalho. Aos 15 anos, já atuava na Feira de Caruaru, na Rua 15 de Novembro, vendendo sabão produzido na fábrica de Sebastião Miranda, da antiga Barragem, e também fubá da moagem de Roberto Sales, seu primo. Paralelamente, estudava no Colégio Sete de Setembro, uma instituição particular, custeando ele próprio os estudos com o dinheiro do seu trabalho. Um dos momentos mais marcantes dessa fase foi quando conseguiu comprar um óculos de grau para sua mãe, gesto simples, mas carregado de orgulho e emoção, que simbolizava sua responsabilidade precoce com a família.
Em 1972, Claudemir conheceu Maria Aparecida Lira Sales, carinhosamente chamada de Cidinha, com quem iniciou um namoro que mais tarde se transformaria em casamento. Em 1973, acompanhou o pai na mudança para Jacobina, na Bahia. Lá, trabalhou viajando de caminhão entre Caruaru e Jacobina, comprando sapatos em Caruaru para revender na cidade baiana, atividade que exerceu até 1975.
No mesmo ano, mudou-se para Recife, onde adquiriu um caminhão Chevrolet e passou a trabalhar no transporte de areia para as obras do viaduto da Sudene. Em 1976, Claudemir retornou definitivamente a Caruaru, sendo o primeiro dos irmãos a voltar para a cidade. Incentivado pelo sogro, Antônio Gomes de Lira — figura fundamental em sua trajetória pessoal e profissional — decidiu investir no ramo de confecções.
Ainda em 1976, abriu sua primeira loja, com o nome Maria Aparecida Lira Sales, localizada na Travessa da Conceição, nas proximidades da Rua São Sebastião. O negócio prosperou rapidamente, encerrando o primeiro ano com excelente resultado financeiro. Contudo, em fevereiro de 1977, a loja foi atingida por um incêndio, trazendo grande apreensão e incerteza. Mesmo diante da adversidade, Claudemir não desistiu: reorganizou-se, aproveitou o que foi possível e seguiu em frente com ainda mais determinação. Em 16 de julho de 1977, casou-se com Cidinha, consolidando também sua base familiar.
Com espírito empreendedor, passou a viajar para Juazeiro do Norte, no Ceará, comercializando confecções adquiridas em Caruaru. Em 1979, expandiu os negócios para Arapiraca, em Alagoas, onde abriu a loja Comercial Lira Sales. No mesmo período, iniciou sua primeira fábrica de confecções em uma garagem na Rua Afonso Pena, em Caruaru.
Posteriormente, construiu duas casas no bairro do Salgado, na Rua Prudente de Morais, transferindo a fábrica para o local, onde permaneceu até 1983. Nesse ano, mudou a unidade fabril para a Rua Oscar Laranjeira, em frente à praça da antiga Coca-Cola, no prédio de Seu Assis, encerrando as atividades da loja da Rua São Sebastião e mantendo apenas a fábrica em Caruaru e a loja em Arapiraca. Em 1986, construiu o primeiro prédio próprio da fábrica e, pouco depois, decidiu fechar a loja de Arapiraca, concentrando todas as atividades industriais em Caruaru.
O ano de 1988 marcou profundamente sua vida pessoal. Claudemir costuma dizer que “um anjo foi colocado em sua porta”. O casal acolheu uma criança como filho, assumindo integralmente sua criação e educação, dando-lhe o nome de Diogo Ranieri Lira Sales. No mesmo ano, construiu sua casa na Rua Olavo Bilac. Ao visitar a obra, sua mãe fez uma revelação marcante: foi naquela mesma rua, então conhecida como Rosário Velho, hoje bairro Indianópolis, que Claudemir nasceu, quando a localidade tinha apenas 14 casas.
Em 1990, Claudemir entrou definitivamente para a história econômica de Caruaru ao se tornar o primeiro fabricante de malha têxtil do município, especialmente de algodão. Para isso, adquiriu modernas máquinas circulares de origem italiana, cada uma no valor aproximado de 65 mil dólares. As máquinas foram vendidas “no vale”, para pagamento posterior, em um gesto de confiança raro no mercado. Claudemir criou uma forte amizade e parceria com os representantes italianos, conhecidos como seu Batalho e seu Luciano, que acreditaram em seu potencial empreendedor.
A afinidade foi tamanha que, quando os vendedores desejavam negociar máquinas na região, levavam potenciais clientes para conhecer a fábrica de Claudemir, que se tornava referência. A parceria se fortaleceu ainda mais quando os italianos inauguraram uma filial e representação em Recife, evento do qual Claudemir participou a convite deles, sendo recebido com grande entusiasmo pelo próprio dono da fábrica, Paulo. Ao longo dos anos, recebeu diversos presentes técnicos, como carregamentos de agulhas e platinas, e chegou a ser convidado para passar 15 dias na Itália com todas as despesas custeadas — convite que, embora não tenha aceitado, simboliza o nível de respeito e confiança construído naquela relação comercial e humana.
Esse pioneirismo industrial contribuiu significativamente para o fortalecimento e a consolidação do polo de confecções de Caruaru.
Ainda nos anos 1990, Claudemir diversificou a produção e tornou-se também pioneiro na fabricação de cuecas comercializadas em embalagens com três unidades, formato até então inexistente na região. Inicialmente, utilizou nomes inspirados em automóveis, como Ômega, Apollo e Siena. Após enfrentar um problema de registro da marca Dom Siena, decidiu realizar uma pesquisa de mercado e apostar em nomes que remetiam à família. Assim nasceu a marca Cuecas Dom Diego, oficialmente lançada em 2000, que cresceu e se consolidou como referência no segmento.
Em 1998, mais uma vez a vida o presenteou com a oportunidade de exercer o amor e a responsabilidade familiar. Outra criança foi acolhida com o mesmo compromisso e carinho, recebendo o nome de Leandro Ranieri Lira Sales, fortalecendo ainda mais os laços que sempre caminharam junto à sua trajetória empresarial.
Em 2004, Claudemir ingressou na vida pública ao se candidatar a vice-prefeito de Caruaru na chapa com o médico Dr. Demóstenes. A campanha durou 90 dias e foi, segundo ele, uma experiência enriquecedora. Embora a chapa não tenha sido vitoriosa, Claudemir chamou atenção pela postura positiva após o resultado: promoveu uma grande festa em agradecimento a todos que contribuíram com a campanha. O gesto repercutiu na cidade e o levou a esclarecer publicamente, inclusive em emissoras de rádio, que a celebração era um ato de gratidão, não de derrota.
Em 2007, construiu a nova e atual sede da Cuecas Dom Diego, localizada por trás do motel Alphaville, no bairro Santa Rosa. No mesmo período, participou da organização Pró-Vida, escola filosófica fundada por Dr. Celso Charuri, experiência que contribuiu para ampliar sua visão de mundo e seus valores humanos. Ao longo de sua trajetória, Claudemir sempre fez questão de homenagear familiares em suas construções, incluindo pai, mãe, irmãos e o sogro Antônio Gomes de Lira, reconhecendo a importância de cada um em sua caminhada.
Já em 2016, Claudemir viveu um novo e importante processo de transformação pessoal. Ao procurar o médico psiquiatra Dr. Lamartine, ouviu um desafio direto: só seria tratado se deixasse de tomar os medicamentos que usava na época. Determinado, chegou em casa e interrompeu todos os remédios. Naquele período, pesava cerca de 125 quilos. Com acompanhamento médico e disciplina, iniciou uma dieta rigorosa e, em um ano, perdeu 42 quilos, chegando aos 83 quilos.
Incentivado pelo médico, passou a praticar atividades físicas, começando com caminhadas e evoluindo gradualmente para a corrida. Quando percebeu, estava correndo diariamente cerca de 7 quilômetros. Participou de quatro corridas de rua, em Lajedo e em Caruaru, incluindo provas no Alto do Moura, alcançando excelente preparo físico e qualidade de vida.
Sempre alegre e ativo, Claudemir também participou de festivais de forró nos anos de 2018 e 2019. Seu amigo Eraldo, da Casa Nova, costumava chamá-lo carinhosamente de “pé de valsa”, em referência à sua habilidade e entusiasmo na dança.
Com quase cinco décadas de atividade empresarial, a empresa Dom Diego já empregou mais de mil pessoas ao longo de sua história, contribuindo diretamente para a geração de emprego e renda em Caruaru. Claudemir destaca com orgulho que nunca vendeu o que construiu, tendo doado apenas duas casas no bairro do Salgado: uma para a funcionária Lenira e outra para João, mecânico que até hoje trabalha com ele.
Claudemir Couto Sales tem uma trajetória marcada por trabalho duro, pioneirismo, confiança, resiliência, gratidão, cuidado com as pessoas e profundo amor pela cidade que o viu nascer e prosperar. Um exemplo de empreendedor que ajudou a transformar Caruaru em referência no setor têxtil e industrial do Nordeste.

