Em 1961, o então governador de Pernambuco, Cid Sampaio, eleito em 1958 com apoio do Partido Comunista, enviou a Caruaru agentes da Secretaria de Segurança Pública para realizar um levantamento sobre quantos comunistas atuavam no município.

A apuração foi concluída e revelou 54 militantes. Entre os nomes mais destacados estavam:

  • Abdias Bastos Lé, comerciante e presidente do Partido Comunista em Caruaru;

  • Aluísio Falcão, radialista da Rádio Difusora de Caruaru, apresentador de comícios, ex-funcionário da Rádio Tamandaré (Recife) e assessor do prefeito do Recife Miguel Arraes, além de ter sido seu locutor oficial quando Arraes foi eleito governador;

  • Arsênio Martins Gomes, advogado e grande tribuno;

  • Ernesto do Cochão, microempresário;

  • Fernando Florêncio, advogado que foi secretário da Fazenda na gestão do prefeito João Lyra Filho;

  • Fernando Soares, cirurgião-dentista que mais tarde se tornou vereador em Caruaru;

  • Henrique Figueiredo, advogado atuante no Tribunal do Júri, onde frequentemente enfrentava o advogado Café Filho, que se tornaria vice-presidente da República e assumiria a presidência após o suicídio de Getúlio Vargas;

  • Hugo Martins Gomes, conhecido como “Guri”, que posteriormente foi eleito deputado estadual;

  • José Araújo, vereador e presidente da Câmara Municipal de Caruaru;

  • Romero Figueiredo, artista plástico e, nas horas vagas, segurança de Luiz Carlos Prestes, “o Cavaleiro da Esperança”;

  • Mizael Martins, que também foi vereador em Caruaru;

  • Francisco de Assis Claudino, o “Cicí”, considerado um dos maiores intelectuais da cidade.

Em 1964, com o Golpe Militar, o comerciante Abdias Lé — presidente do Partido Comunista em Caruaru — foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional, assim como Manoel Messias, considerado o mais temido comunista do município. Messias foi preso e torturado nas dependências de um quartel do Exército em Caruaru. O Inquérito Policial Militar (IPM) foi conduzido pelo coronel Hélio Ibiapina Lima.