Fotos: internet e arquivo familiar.

O economista caruaruense Manoel Messias é uma das figuras mais marcantes da história da esquerda política em Pernambuco. Assessor do então governador Miguel Arraes, foi perseguido após o golpe militar de 1964 no Brasil, preso pela ditadura e, posteriormente, exilado no exterior.

Depois de deixar o Brasil, Manoel Messias fixou residência no Chile, onde participou de movimentos de esquerda durante o governo do presidente Salvador Allende. Nesse período, atuou ao lado do padre canadense Eduardo, ligado à Igreja Católica, que também desenvolvia atividades políticas e sociais no país.

Em 11 de setembro de 1973, o governo democraticamente eleito de Salvador Allende foi derrubado por um golpe militar liderado pelo general Augusto Pinochet. A partir daquele momento, teve início uma intensa perseguição aos militantes de esquerda, sindicalistas e apoiadores do governo deposto.

Diante da repressão, Manoel Messias e o padre Eduardo buscaram refúgio na Embaixada do Canadá, onde permaneceram por cerca de um mês sob proteção diplomática. Posteriormente, conseguiram asilo político e seguiram para o Canadá.

Ao longo dos anos seguintes, Manoel Messias também passou pela Argentina e pelo Uruguai, países que igualmente viveram golpes militares e regimes autoritários durante a década de 1970. Mais tarde, estabeleceu-se na Europa, onde permaneceu até a aprovação da Lei da Anistia no Brasil.

Em 1979, retornou ao país no mesmo período em que Miguel Arraes também regressou do exílio, retomando sua vida em Pernambuco.

Nascido em Caruaru, em 1940, Manoel Messias reside atualmente em Olinda e completa 85 anos de idade em 2025.

Ele é irmão do compositor caruaruense Carlos Fernando, que também foi perseguido pela Ditadura Militar brasileira, sendo preso e submetido a sessões de tortura em razão de sua atuação política.

Manoel Messias mantinha forte amizade com o comerciante Abdias Bastos Lé, então presidente do Partido Comunista em Caruaru. Assim como muitos militantes da época, Abdias também foi preso durante a ditadura.

Abdias era proprietário da Banca de Revistas Yuri Gagarin, localizada na Rua da Matriz, em Caruaru. O estabelecimento comercializava livros de literatura de esquerda, jornais de circulação nacional e outras publicações consideradas subversivas pelos grupos anticomunistas da época.

Na madrugada de 1963, antes mesmo do golpe militar de 1964, a banca foi incendiada por criminosos. O episódio é considerado por pesquisadores e memorialistas um dos primeiros ataques contra um estabelecimento identificado com a esquerda política no Brasil, antecipando o clima de violência e perseguição que se intensificaria nos anos seguintes.

Vale lembrar que, anos depois, durante o processo de abertura política iniciado no governo do presidente Ernesto Geisel e consolidado com a Lei da Anistia, sancionada no governo de João Figueiredo, também ocorreram atentados contra bancas de jornais e livrarias em diversas cidades brasileiras, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo.

A antiga Banca Yuri Gagarin recebeu esse nome em homenagem ao cosmonauta soviético Yuri Gagarin, o primeiro ser humano a viajar ao espaço, em 1961, símbolo que, na época, era frequentemente associado aos ideais socialistas.